6.1 Adolescência
Segundo Conger (1980), a adolescência é uma fase de mudanças rápidas, como físicas, sexuais e intelectuais no indivíduo, e de mudanças ambientais devido às demandas externas impostas pela sociedade.
Em nenhuma outra fase da vida, dos dois anos de idade em diante, passa o indivíduo por tantas mudanças como durante o período em torno da puberdade. Não é de admirar que questões sobre si mesmo surjam, assim como novas sensações, pensamentos, e percepções. (CONGER, 1980)
Na adolescência, a identidade se estrutura aos pedaços, como uma “colcha de retalhos”, na qual cada retalho é um “pedaço” de alguém, que futuramente uma mistura, em que várias experiências de vida, pessoas, e coisas, se “fundem”. É processo lento e difícil, tanto para o jovem adolescente como para os adultos que cercam. (OUTEIRAL, 2003)
Infelizmente costuma-se somente salientar o aspecto do adolescente, ou seus maneirismos, ou seus trajes diferentes, sua forte tendência a ser inquieto, preguiçoso, e contestador. O mínimo que se costuma fazer é considerá-lo “rebelde”.
Talvez devido a sua desprendida capacidade de amar fervorosamente, seja um fator que dificulte a aceitação que muitos adultos têm de aceitar o adolescente como ele é. Se considerássemos com atenção o que se passa em sua mente e corpo, os compreenderíamos melhor.
Além da mente, modificam-se as proporções do corpo. A libido, que uma vez foi uma energia dirigida à atividade muscular e às especulações intelectuais, agora se dirige à genitalidade. O interesse heterossexual passa a predominar, e isso não se passa abruptamente. Nem sempre ao longo dos três, quatro anos que esse fatos ocorrem, são tempo suficiente para que o amadurecimento mental acompanhe o desenvolvimento físico. Torna-se então, comum a análise: “Parecem-se com adultos, mas comportam-se como crianças.” (SOUZA, 1996)
7 SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA
7.1 Sexualidade
Foi a força dominante da igreja na vida moral e espiritual das pessoas na Idade Média que tomou o primeiro passo a deixar claro que atos sexuais só seriam permitidos com a regulamentação de onde, quando, e com quem o sexo poderia ter lugar. O sexo jamais deveria ser vinculado ao prazer, e segundo essa definição, todo o ato sexual fora do casamento, fosse ele heterossexual ou homossexual, era pecado, e dentro do casamento deveria ser usado apenas para procriação. (RICHARDS, 1990)
O mundo então passa pela Idade Média, e entra no período do Renascimento. Nessa época, o ser humano então, busca resgatar a aceitar como algo natural seus desejos. Uma nova realidade social surge, onde o sexo novamente pode ser desfrutado. O Renascimento renovou o valor do amor romântico e físico. (CUNHA, 1981)*
Em função da insatisfação de modelo sexual em vigor, ocorre a revolução sexual, com a intenção de contestar a sociedade e os valores de dominação. A liberdade sexual surge com o primeiro contraceptivo oral eficaz, e a partir desse momento foi possível, pela primeira vez, desvincular o sexo da procriação, e uma de suas consequências foram as mudanças de crenças e atitudes em relação a sexualidade. (SILVA ET AL; 1997)
7.2 O fim da infância
É possível definir esse período de transformações fundamentais como mudanças irreversíveis. O adolescente de despede da infância, e dá boas vindas ao mundo dos adultos, um mundo onde ele ainda não se encaixa, por se encontrar ainda em um meio termo, “não sou mais criança, mas também ainda não sou adulto.”
Azevedo (1995) diz que, o processo de firmar uma identidade envolve inúmeros aspectos como desde o adeus à infância, a descobertas das mudanças do corpo e alma, a escolha do caminho para a vida adulta, tudo isso ao mesmo tempo.
A criança de dez, onde anos, já consegue perceber que não é mais tão pequena assim, ela já é grande, e quer ser tratada como tal. Nessa época os meninos ficam mais fortes e altos, e as meninas crescem os seios e o quadril. É nessa época também que começam as reclamações sobre rebeldia, mas é algo que faz parte da definição da identidade do jovem, de fazer o uso da vontade e sentir o efeito de fazer as próprias escolhas. (AZEVEDO, 1995)
“Não é à toa que surgiram a prancha de surfe e o skate. Há ondas enormes para serem dribladas, ruas e avenidas para serem vencidas depressa.”
(AZEVEDO, 1995, p.8)
Segundo Knobel (1992), nessa fase o aumento da sensibilidade leva o adolescente a estar constantemente cheio de novas percepções e novos sentimentos. Além disso, o crescente desenvolvimento da sexualidade influencia as sensações, dando um colorido erótico às percepções.
O movimento de crescimento do adolescente não é linear, a adolescência é um período de aprendizagens, como lidar com os novos mecanismos, os novos fatos, as novas emoções, as novas formas de relacionamento, os novos pensamentos, as novas percepções, mas enquanto este jovem não estiver seguro dessas novas mudanças, recorrerá ao que já domina, aos antigos mecanismos de quando era criança. (AZEVEDO, 1995)
7.3 Ficar, namorar, e a vida sexual
Não existe vocabulário o suficiente que envolva todas as sensações de “ficar”. Há quem “fica” e depois sonha com um pedido de namoro, há quem “fica” e se decepciona, por que não era nada daquilo que imaginava ou esperava. Há ainda os que “ficam” em idade inadequada, aos onze, doze anos, quando o corpo ainda não é uma presença muito clara e definida.
Esses momentos tem em comum a busca do prazer da descoberta que há no ficar com alguém. São os primeiros carinhos, os primeiros sinais do que gostamos e as primeiras percepções que fazem parte do autoconhecimento, e descobrimento daqui que nos agrada e desagrada.
Apesar dos carinhos, existe um lado ruim neste “ficar”, não existe o compromisso com o sentimento do outro. É permitida intimidade física sem que haja qualquer tipo de intimidade emocional. Compartilha-se do corpo do outro, mas não se dividem emoções e sentimentos. (AZEVEDO 1995)
O interesse sexual aumenta o contato com adolescentes do sexo oposto e a busca de relações mais íntimas, muitas vezes resulta nos namoros. O namoro é uma manifestação inicial da nossa tendência biológica à formação de pares por atração sexual, que se desenvolve no homem e na mulher a partir das mudanças orgânicas da adolescência e da puberdade, segundo AZEVEDO (1981).
Também para Azevedo (1981), o namoro não existe por si mesmo, mas sim pela origem e conservação da sociedade em seus aspectos claramente humanos, estéticos, espirituais e intelectuais que, segundo a lei dos costumes, moldando os comportamentos do par de namorados e o dinamismo de suas relações.
A maior liberdade de comunicação entre pais e filhos, entre amigos, entre alunos e professores e entre jovens de sexos diferentes, tem tornado o assunto sexo mais descontraído, deixando aos poucos de o tabu de antes.
T.A.W
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